sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Rio: Trágica e histórica semana


Estava de serviço em Magé na última quarta-feira e ao assumir o serviço, às 8h, não poderia imaginar as catastróficas notícias e missões que receberíamos dali em diante nas cidades de Teresópolis, Nova Friburgo e Petrópolis. Preparávamos o envio de uma equipe do 2º GSFMA para apoiar as operações em Friburgo quando tocou o celular funcional do Oficial de Dia. Atendi-o e do outro lado da linha informava-me o Chefe do Estado Maior Geral que acabara de falecer o Cb Guarilha, de Magé, vítima de soterramento, junto à sua esposa e filho, em Teresópolis. 20 militares já estavam embarcados no ATT-004 e aguardavam a ordem para avançar. Parei, refleti e tomei a decisão de não informar aos nossos militares do fatídico ocorrido. Sei que abalaria profundamente o moral daqueles que partiam motivados a prestar o melhor serviço que pudessem à população friburguense. Minutos depois chegava o Comandante do 2ºGSFMA, já ciente do ocorrido. Por mais que houvesse a confirmação da morte de nosso companheiro, partimos esperançosos da informação não se confirmar pois os corpos ainda não haviam sido encontrados. Essa foi a primeira e espero que seja a última operação que participei na busca de um companheiro de luta. No meu último serviço, estávamos lá eu e o Guarilha no ABSL e agora... Triste, muito triste!
O sinal telefônico na região era quase inexistente, mas durante a operação iam chegando as informações que o IML de Teresópolis havia recebido mais de 100 corpos vitimados pela enchurrada da madrugada. Era difícil crer que poderia acontecer tamanha tragédia e esperávamos que tal informe não passasse de mero sensacionalismo popular. E o que era difícil crer se tornou possível quando trafegávemos pela cidade e podíamos ter plena noção da calamitosa devastação provocada pela gigantesca manifestação de força da natureza e por nossa ignorância de pensar que podemos subestimá-la.
Escrevo esse texto vendo que os mortos já ultrapassam os 600... e estima-se que essa marca deve dobrar.
Nossos 03 militares que faleceram no estrito cumprimento do dever que juraram cumprir, mesmo com o sacrifício da própria vida, em Nova Friburgo, só aumentaram essa lástima e certamente ficarão registrados na memória do Corpo de Bombeiros Militar do RJ por muitos anos.
Resta-nos confortar as famílias de nossos irmãos e torcer para que estejam bem acolhidos no colo do criador!
E seguem os trabalhos na serra...
Trágica e inesquecível semana de verão na região serrana do estado!

LAURO BOTTO - Capitão BM
Fonte: Diário Bombeiro Militar
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